[Resenha] “O duque e eu”

O Duque e Eu

Classificação: ★★★★★♥
Título:
O Duque e Eu

Título original: The Duke and I
Coleção: Série “Os Brigdertons” livro 1
Páginas: 288
Ano Edição: 2013
Editor(a): Editora Arqueiro
Autor(a): Julia Quinn
Tradutor(a): Cássia Zanon
Edição: 
ISBN: 978-85-8041-146-1
Gênero: Romance / Ficção / Literatura Estrangeira (com conteúdo adulto)

por: Giovanna Cuzziol Longo

Sinopse: Simon Basset, o irresistível duque de Hastings, acaba de retornar a Londres depois de seis anos viajando pelo mundo. Rico, bonito e solteiro, ele é um prato cheio para as mães da alta sociedade, que só pensam em arrumar um bom partido para suas filhas. Simon, porém, tem o firme propósito de nunca se casar. Assim, para se livrar das garras dessas mulheres, precisa de um plano infalível. É quando entra em cena Daphne Bridgerton, a irmã mais nova de seu melhor amigo.

Apesar de espirituosa e dona de uma personalidade marcante, todos os homens que se interessam por ela são velhos demais, pouco inteligentes ou destituídos de qualquer tipo de charme. E os que têm potencial para ser bons maridos só a veem como uma boa amiga. A ideia de Simon é fingir que a corteja. Dessa forma, de uma tacada só, ele conseguirá afastar as jovens obcecadas por um marido e atrairá vários pretendentes para Daphne. Afinal, se um duque está interessado nela, a jovem deve ter mais atrativos do que aparenta.

Mas, à medida que a farsa dos dois se desenrola, o sorriso malicioso e os olhos cheios de desejo de Simon tornam cada vez mais difícil para Daphne lembrar que tudo não passa de fingimento. Agora ela precisa fazer o impossível para não se apaixonar por esse conquistador inveterado que tem aversão a tudo o que ela mais quer na vida.

 

oduqueeeu1(1)(1)

 

“O duque e eu” é o primeiro livro da série “Os Bridgertons”, composta por oito livros – cada um ocupando-se em contar inteligentemente as estórias de amor dos oito irmãos filhos da matriarca Violet e do falecido Edmund, todos destacados pela aparência anormalmente similar e bela, apesar de comum. Publicado primeiramente em 2011 pela Nova Cultural e em 2013 pela Arqueiro, sofreu poucas mudanças e nada muito significativo. Julia Quinn começa a série já cativando os leitores em um romance histórico muito bem-humorado, sendo ele, dos oitos, o que possui o casal mais cômico e divertido.

A autora tem a capacidade de captar a essência de Londres no início de 1800 e de inserir o leitor na trama ardilosa, sem deixá-la pesada e maçante, o que é atribuído à pouca caracterização ambiental, compensada pela profundidade com a qual os personagens são introduzidos. Quinn se utiliza do famigerado “menos é mais” para descrever lugares, bailes e eventos, e, ainda assim, não dá espaço para dúvidas ou vazios. É também, com maestria, que não deixa pontas soltas; o livro tem uma divisão clara de início, meio e fim, todos completos.

A obra começa com um mimo inteligente e recebido de bom grado: a árvore genealógica da família, definindo os oito irmãos protagonistas, nomeados em ordem alfabética, de A até H, do mais velho ao mais novo.  “O duque e eu” narra a vida amorosa de Daphne, a quarta a nascer e a menina mais velha, que, posteriormente, torna-se álacre e satisfatória.

Daphne se mostra, desde o começo, uma garota jovial e bem-humorada, que não se abala por pouco, considerado o crescimento com quatro irmãos o motivo da personalidade forte e distinta que desenvolveu. É também por sua notável gentileza e bondade que é vista como amiga e não pretendente aos olhos dos homens da sociedade londrina. Fica, logo, claro ao leitor que a protagonista é surpreendentemente sincera e inusitada, diferente do que se era comum ver nos romances históricos. Ainda que encaixada no atual grupo de heroínas deste tipo de livro – mulheres fortes e rebeldes para aquela época –, consegue se destacar e tornar-se um desafio ao que estávamos acostumados e um deleite a nossos olhos. Com tal personalidade, acaba por amedrontar os pretendentes, e se afasta cada vez mais do sonho de ter uma família.

Paralelamente, Simon é apresentado como um libertino amante da vida burlesca, que não está lá tão disposto a abrir mão da liberdade tão cedo, tendo, aqui, liberdade como sinônimo da solteirice. É, porém, forçado a voltar de uma viagem pelo mundo e se fixar em Londres, onde assumiria o ducado que lhe era de direito desde a nascença, consequência da não tão repentina morte de seu pai, com quem mantinha uma relação, no mínimo, conturbada. O duque de Hastings se torna ainda mais irresistível pelo suspense e pelo mistério que rondam suas ações. Além dos segredos que esconde e da beleza estonteante, o título que carrega o torna ainda mais desejável pelas mulheres solteiras que debutam nesta temporada – como era chamada a “caça aos maridos. ”

É, de fato, clichê admitir que a vida dos dois se transforma totalmente, logo no primeiro encontro dos personagens, mas acontece. Não ocorre de forma brusca; não é como se um instante depois estivessem apaixonados e trocando juras de amor, mas, dali em diante, não seriam mais os mesmos. Nesse mesmo encontro, que se inicia tenso, mas torna-se jocoso, nos é apresentada a combinação mais doce e deliciosa do livro; ele, de um lado, heroico e mandão, e ela, do outro, gentil, mas durona.

“Daphne se abaixou e ajeitou as tulipas, roçando o braço de leve na frente do casaco dele. Ela imediatamente deu um salto para trás, surpresa com a quentura e a força dele. Meu Deus, se ela podia sentir tudo aquilo através da camisa e do casaco, como ele deveria ser… Daphne ficou vermelha, muito vermelha. – Eu daria minha fortuna por seus pensamentos – disse Simon, erguendo as sobrancelhas com curiosidade. “

Julia Quinn também nos apresenta Anthony, o Bridgerton mais velho, encarregado pelas responsabilidades da família, que foi, de certo modo, forçado a “substituir” seu pai. Por obra do destino ou pelo mero acaso, ele acaba se tornando mais um ponto em comum entre os dois protagonistas. Daphne é sua irmã mais nova, enquanto Simon divide com o primogênito uma amizade de longa data. O enredo apresenta de forma criativa e curiosa como Daphne e Simon se tornam parte de uma fraude que traria pretendentes a ela e o livraria das matronas com filhas solteiras: os dois fingiriam um cortejo.

A paixão que acende entre os dois, entretanto, faz a estória percorrer uma reviravolta de prender o fôlego. Apesar de o final do livro já ser, de certa forma, previsto, o caminho tomado pelos personagens é intrigante e deliciosamente apaixonante. No fim, não é de se espantar que o leitor se encante e adore não só Daphne e Simon (tanto individualmente quanto como um casal), mas também todas as outras personagens, incluindo a misteriosa Lady Whistledown, que há de ser encarada como a ancestral da gossip girl moderna. É impossível não desejar avidamente o próximo livro.

Daphne oferece a Simon uma perspectiva de família e amor, que a ele era desconhecida até então. Em troca, ele oferece proteção e um companheirismo que, naquela época, era considerado sorte. Ao longo das páginas, Simon trava uma luta interna resultante do casamento e sofre uma mudança emocionante e significativa. Amadurece e aprende que é possível se sentir bem consigo mesmo, graças a ela. Fica, então, claro que o destino dos dois havia sido realmente selado logo no primeiro olhar e que, apesar de tímido, o amor estivera sempre lá.

“[…] estou apavorado. E morrendo de empolgação. E sentindo milhões de outras emoções que nunca me permiti sentir antes de encontrar você.”

O que torna o livro diferente é o modo como cada palavra carrega uma carga de emoção que é facilmente transmitida ao leitor. A familiaridade que cresce ao longo do tempo, do leitor com os personagens e o enredo, é reconfortante. Apesar de algumas partes angustiantes, não foi preciso ser triste ou melancólico, e o final feliz é recebido com sorrisos aliviados. De fato, é o conjunto todo que o torna tão maravilhoso, o qual contém todos os elementos para uma ótima história, e é difícil de entender o encanto até lê-lo do início ao fim.

É a minha segunda história favorita da série, por diversos fatores, mas principalmente pelo amadurecimento das personagens e pelo enredo criativo, que me rendeu boas risadas. Considerando que seu núcleo ronda a instituição familiar e trata, além do drama, do romance e da paixão, também o preconceito, os medos e as mágoas, é, além de tudo (ou mais do que tudo), uma história de superação. Tornou-se impossível vê-lo como apenas mais um livro. Classificado por mim, uma romântica incurável, como uma leitura leve e divertida, mas também quente e viciante, “O duque e eu” tem a receita perfeita para um sucesso eterno e a única coisa da qual me arrependo é ter demorado tanto tempo a devorá-lo.

 

skoob | onde comprar | e-book

 

 

Anúncios

18 comentários sobre “[Resenha] “O duque e eu”

  1. Gostei muito da sua resenha.
    Sinceramente, não gosto muito desses romances de época, mas o que mais me interessou foi a forma que você expôs o livro, e também essa ideia maravilhosa da autora de fazer uma família com oito filhos. Minha família também é assim, eu sou o sexto de oito filhos e quero conhecer o sexto(a) Bridgerton.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Gi, esse romance parece ser daqueles que combinam história e conflitos modernos, quase urbanos, não?

    No início disse que o livro tem conteúdo adulto Mas que tipo de conteúdo? É um livro Hot?

    No mais, não conhecia o livro e nem a autora. Obrigado por me apresentá-los, rs.

    Curtido por 1 pessoa

  3. “Você fez o livro parecer interessante”, provavelmente eu não daria nada por ele ao encontrar em uma livraria, mas apresentado dessa forma, uma chance é bem provável. Em tempo, pela resenha em diria que apesar de uma forma totalmente torta, o plano deu certo. Afinal, o duque não precisa mais se preocupar com pretendentes, nem a moça com a falta deles 😉

    Curtido por 1 pessoa

  4. Olá!
    Adorei sua resenha!
    Eu amo a Júlia e toda a série. Sou Apaixonada por romances de época,mas este ainda não tinha lido,agora com essa resenha maravilhosa,será uma das minhas próximas leituras.
    Beijos e Sucesso.
    Cássia Pires( Blog Meu cantinho Literário)

    Curtido por 1 pessoa

  5. Oi, tudo bem?
    Eu tenho que confessar que eu não sou uma grande fã de livros de época. Eu já tentei ler vários, inclusive O Duque e eu, mas a leitura não fluiu. O único que eu consegui terminar e gostar, foi o A Promessa da Rosa da Babi A Sette, que é um nacional. Mas eu pretendo dar outra chance aos livros da Julia, já que todos falam tão bem.

    Curtido por 1 pessoa

    • Não acredito, Giovana! Acho que é a primeira pessoa que me diz isso haha Espero que essa segunda chance valha a pena. E se minha opinião for de alguma ajuda, recomendo que comece pelo “Um perfeito cavalheiro”, “O conde enfeitiçado” ou “Um visconde que me amava”, que também tem a resenha aqui no blog haha Beijão

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s