[Resenha] “O visconde que me amava”


O Visconde que me Amava

Classificação: ★★★★★ ♥
Título: O visconde que me amava
Título original: 
The Viscount who loved me
Coleção:
Série “Os Brigdertons” livro 2

Páginas: 304
Ano Edição: 2013
Editor(a): Editora Arqueiro
Autor(a): Julia Quinn
Tradutor(a): Ana Resende
Edição: 
ISBN: 978-85-8041-197-3
Gênero: Romance / Ficção / Literatura Estrangeira (com conteúdo adulto)
por: Giovanna Cuzziol Longo

Sinopse: A temporada de bailes e festas de 1814 acaba de começar em Londres. Como de costume, as mães ambiciosas já estão ávidas por encontrar um marido adequado para suas filhas. Ao que tudo indica, o solteiro mais cobiçado do ano será
Anthony Bridgerton, um visconde charmoso, elegante e muito rico que, contrariando as probabilidades, resolve dar um basta na rotina de libertino e arranjar uma noiva.

Logo ele decide que Edwina Sheffield, a debutante mais linda da estação, é a candidata ideal. Mas, para levá-la ao altar, primeiro terá que convencer Kate, a irmã mais velha da jovem, de que merece se casar com ela.

Não será uma tarefa fácil, porque Kate não acredita que ex-libertinos possam se transformar em bons maridos e não deixará Edwina cair nas garras dele.

Enquanto faz de tudo para afastá-lo da irmã, Kate descobre que o visconde devasso é também um homem honesto e gentil. Ao mesmo tempo, Anthony começa a sonhar com ela, apesar de achá-la a criatura mais intrometida e irritante que já pisou nos salões de Londres. Aos poucos, os dois percebem que essa centelha de desejo pode ser mais do que uma simples atração.

Considerada a Jane Austen contemporânea, Julia Quinn mantém, neste segundo livro da série Os Bridgertons, o senso de humor e a capacidade de despertar emoções que lhe permitem construir personagens carismáticos e histórias inesquecíveis.

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“Anthony, que acabara de descobrir o que era amar, aprendeu o que era morrer por dentro.”

No primeiro livro da série “Os Bridgertons”, Julia Quinn nos apresentou uma versão um tanto egocêntrica e não muito agradável de Anthony Bridgerton, o filho mais velho, que chama a nossa atenção, mas não de forma positiva. Talvez por isso, ou talvez porque eu ainda estava perdidamente apaixonada por Daphne e Simon quando comecei a leitura do segundo livro, “O visconde que me amava”, não o fiz de forma tão receptiva. Mas a autora revelou mais uma de suas incríveis habilidades com a escrita: a descaracterização e a reconstrução de personagens, o que é curioso, porque, a obra, é, nada mais nada menos, do que uma reconstrução em si.

Para o total entendimento do livro, sem que haja constrangimentos, é preciso ter em mente que a perda de um pai é sempre dolorosa demais para se suportar e, para Anthony, o que se passou foi ainda pior, já que acreditava ter uma espécie de conexão especial com o próprio pai, simplesmente por ser o mais velho e ter passado mais tempo com ele, em comparação com os irmãos mais novos. Edmund, o genitor, era o centro de seu universo, e isso há de se tornar claro para que as angústias do protagonista, bem como suas promessas, sejam completamente esclarecidas. Fica óbvio logo no primeiro contato com o enredo que Anthony é abalado emocionalmente. O fardo da morte que carrega em seu encalço, quase de forma sufocante, impede que ele sequer aceite a felicidade plena.

No primeiro livro, mostra-se muito imponente e acostumado com a ideia de ser “o homem da família”, mas, nesse segundo, no qual sua história é contada, nos é revelado o peso por trás de suas ações, bem como a pressão e a expectativa que, além da sociedade, ele próprio impõe sobre si mesmo. Entre a preocupação com o casamento (e dote) das irmãs, a certeza de jamais conseguir (ou poder) superar o pai de qualquer forma e outras questões administrativas e financeiras, é quase como se ele não pudesse e não quisesse achar tempo para o amor e o júbilo.

Propõe-se, então, a encontrar uma mãe para os futuros filhos, mas apenas porque isso era o esperado. Edwina Sheffield é introduzida na história como aquela que possui todos os itens da lista para ser uma boa futura esposa, sendo o principal deles alguém por quem ele não se apaixonaria, jamais. O que não estava em seus planos era batalhar pelo consentimento da meia-irmã mais velha da pretendente, Kate Sheffield.

Um Libertino com l maiúsculo sabe que é um perigo para as mulheres. Não se gaba das próprias proezas, pois não precisa. Sabe que homens e mulheres cochicharão a seu respeito e, na verdade, preferiria que não fizessem isso. Ele sabe quem é e o que faz. Relatos detalhados são, em sua opinião, redundantes (…) E, se isso não descreve à perfeição o visconde Bridgerton, sem dúvida o solteiro mais cobiçado da temporada, esta autora aposentará a pena imediatamente.”

Anthony é um ex devasso declarado, atualmente cobiçado, não só pela beleza, mas também pelo título de visconde que herdara. Costuma utilizar artimanhas e o alto poder de sedução para conseguir seja lá o que quiser, mas, por baixo da casca autoritária e mandona, esconde-se um coração bom, puro e preocupado, o qual o obrigaria a dar a vida se pudesse evitar o sofrimento dos familiares. Possui uma fragilidade que pouco a pouco vai nos conquistando e nos faz desejar que ele tenha logo o final feliz que merece, o que contradiz totalmente tudo que conhecíamos, até então, dele.

Kate, a heroína, é dotada de uma inteligência e praticidade invejáveis, assim como uma personalidade forte e ardilosa. Mostra-se impertinente e teimosa, forte e decidida, objetiva e mandona. É uma mulher consciente de si mesma e de suas obrigações, e é capaz de tudo pela família, apesar de ser ofuscada pela irmã. Tem também um passado obscuro e escondido, que nos é revelado ao final do livro, mas que poderia e deveria ter sido mais explorado. É do tipo encantadora que não abaixa a cabeça por pouco, um sopro de originalidade nos livros desse gênero.

Ambos os protagonistas dessa história de amor encaixam-se perfeitamente no maravilhoso universo de romance histórico criado pela escritora. Ela, de um lado, diferente do que a sociedade espera que seja, tanto física quanto psicologicamente, dá voz à nossa esperança com o caráter desafiador à época. Ele, do outro, encaixa-se brilhantemente no herói que sofre uma mudança angustiante, travando uma luta interna, passando de arrogante a apaixonante sem que seja muito óbvio ou apelativo.

O que ninguém esperava, porém, era o fogo que se ergueria entre os dois, os quais compartilham personalidades tão iguais e, ainda assim, tão diferentes. Passando de atração a paixão gradativamente, o sentimento nos prende em um enredo cativante, original e sedutor, desenvolvendo-se timidamente. É impossível retirar os olhos do papel até que se tenha a certeza do final feliz e a química entre os dois é quase palpável. Os diálogos são rodeados de ironia e um bom-humor perigoso, mas também divertido – acentuado pelo cachorrinho atrapalhado de Kate – e a franqueza com a qual os dois se relacionam é comovente. Há ainda de se destacar que Lady Whistledown está mais ávida do que nunca, e dá o toque de mistério necessário ao livro.

A parte final é tão surpreendente quanto possível. Enquanto Anthony sofre uma epifania movida pelo medo e pelo susto, Kate o faz querer mudar e o ajuda na transição, utilizando-se da confiança e do amor que os dois sentiam. Mais uma vez, Quinn consegue fazer as emoções transbordarem das palavras, e envolve o leitor com destreza, trazendo, também, certo alívio aconchegante no epílogo e na carta, ao final, que escreve a nós, leitores.

“– O que isso significa?
– Significa que o amor não tem nada a ver com o medo de que tudo acabe, mas com encontrar alguém que o complete, que faça de você um ser humano melhor do que jamais sonhou ser.”

“O visconde que me amava” trata-se também de uma obra inspiradora, focando não só no amor romântico, mas também no amor familiar e fraternal, tão sincero e conturbado quanto possível. Mais uma vez, fica claro como a instituição familiar é importante e determinante na série, afinal, a família Birdgerton só é unida, poderosa e invejada porque Edmund e Violet cuidaram e amaram os filhos incondicionalmente, e não como se era esperado.

É, da série, um dos livros que mais traz angustias e revelações, assim como brigas e resoluções, o que torna tudo tão mais encantador. Ao contrário do que eu esperava, tentei ao máximo adiar o fim do livro simplesmente porque não queria me desapegar do casal que me capturou tão facilmente, tanto em conjunto quando individualmente. A ironia é que me apaixonei por uma história que, no início, é justamente contra o amor. Julia Quinn cria personagens imperfeitos e apaixonantes, que viajam do papel para fora e que, mais uma vez, em uma história de superação e carinho, passam mensagens muito bonitas. Com maestria a autora prende nosso fôlego e nossa atenção, e desperta o desejo de que esse enredo pudesse durar para sempre.

“Era normal, não era? As pessoas sempre temiam o que não podiam compreender.”


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16 comentários sobre “[Resenha] “O visconde que me amava”

  1. Olá, tudo bem?
    Quero muito poder conhecer a escrita da Julia Quinn. Sim, eu ainda não conheço, mas pretendo mudar isso brevemente. Todos que leem, assim como você, dizem que a autora tem uma forma única de comandar as histórias presente nesta série. Confesso, que não tenho o hábito assíduo de ler romances de época, mas sempre que me permito o fazer, não me decepciono. Já li “Querida Sue”, “Emma”, e outros que não me vem na recordação agora. E, sinto que os livros da Julia devem ser minha prioridade no momento. É bom se permitir conhecer e viver os costumes de outra época bem distinta da nossa, não é?

    Desculpe se o comentário ficou um pouco grande, acho que me empolguei um pouco, após uma resenha tão bem escrita e positiva (rsrs).

    Até mais.

    Curtido por 1 pessoa

    • Imagina, Renato! Adoro comentários grandes e gente que se envolve! Eu tenho absoluta certeza que não vai se arrepender. É muito gostoso se entregar a outra época e aprender outros costumes. Obrigada pelo elogio e volte sempre!

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  2. Estou relutando bastante para não ler essa série, todo mundo esta falando bem dela e gostando dos livros, é uma das que mais vejo sendo comentada por aí.. e eu com a leve impressão de que vou me decepcionar… Estou criando coragem para ler ela… e espero gostar tbm! Sua resenha ficou show! Beijos!!

    Curtido por 1 pessoa

  3. Tenho muito interesse em ler os livros da Julia, mas nunca tive oportunidade. Sempre ouço falarem bem dessa série, então a curiosidade está falando mais alto rsrs
    Adoro finais surpreendentes e romances de época fazem bastante meu estilo. Adorei a resenha e os quotes!
    Beijos =*

    Curtido por 1 pessoa

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