[Resenha] “Os segredos de Colin Bridgerton”

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Classificação: ★★★★☆
Título:
Os segredos de Colin Bridgerton
Título original: 
Romancing Mister Bridgerton
Coleção:
Série “Os Brigdertons” livro 4

Páginas: 336
Ano Edição: 2014
Editor(a): Editora Arqueiro
Autor(a): Julia Quinn
Tradutor(a): Cláudia Guimarães
Edição: 
ISBN: 978-85-8041-307-6
Gênero: Romance / Ficção / Literatura Estrangeira (com conteúdo adulto)

 

por: Giovanna Cuzziol Longo

Sinopse:  Há muitos anos Penelope Featherington frequenta a casa dos Bridgertons. E há muitos anos alimenta uma paixão secreta por Colin, irmão de sua melhor amiga e um dos solteiros mais encantadores e arredios de Londres.

Quando ele retorna de uma de suas longas viagens ao exterior, Penelope descobre seu maior segredo por acaso e chega à conclusão de que tudo o que pensava sobre seu objeto de desejo talvez não seja verdade.

Ele, por sua vez, também tem uma surpresa: Penelope se transformou, de uma jovem sem graça ignorada por toda a alta sociedade, numa mulher dona de um senso de humor afiado e de uma beleza incomum.

Ao deparar com tamanha mudança, Colin, que sempre a enxergara apenas como uma divertida companhia ocasional, começa a querer passar cada vez mais tempo a seu lado. Quando os dois trocam o primeiro beijo, ele não entende como nunca pôde ver o que sempre esteve bem à sua frente.

No entanto, quando fica sabendo que ela guarda um segredo ainda maior que o seu, precisa decidir se Penelope é sua maior ameaça ou a promessa de um final feliz.

Em “Os segredos de Colin Bridgerton”, quarto livro da série Os Bridgertons, que já vendeu mais de 3,5 milhões de exemplares, Julia Quinn constrói uma linda história que prova que de uma longa amizade pode nascer o amor mais profundo.

 

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Estou cansado de me considerarem um sujeito encantador e sem nada na cabeça.- disse ele, por fim.

Os segredos de Colin Bridgerton é o quarto volume da série os Bridgertons e, como pode ser deduzido, conta a história de amor do terceiro filho de Violet, o apaixonante e encantador Colin. Preciso começar dizendo que não gosto desse título. Assim que peguei o livro, franzi o nariz com o nome da obra, quase como um presságio do que estava por vir. Não me entendam mal, o livro é espetacular, assim como qualquer coisa que saia das habilidosas mãos de Julia Quinn, mas acho que o meu problema foi criar expectativas muito altas, afinal, os três primeiros volumes estão entre meus favoritos.

Colin capturou o coração de todos os leitores logo no primeiro livro; é, dos oito, o mais divertido, brincalhão e desbocado, mas, além disso, é muito mais do que deixa transparecer. A carcaça despreocupada e engraçada esconde um homem maduro, dotado de uma inteligência distinta – extremamente profunda e jovial. O terceiro irmão tem espírito aventureiro e viaja para fugir dos problemas e dos compromissos, mas, mais do que isso, sente a necessidade de estar longe. É ele que rege o tom do livro, apesar de Penelope Featherington ser uma protagonista igualmente surpreendente, inteligente e curiosa.

Penelope parece ter sido criada, desde muito cedo, em uma caixinha de paredes grossas, a qual impedia que os outros vissem sua verdadeira personalidade. Quando jovem, não se encaixava nos padrões da sociedade, e a tal caixa não deixou que sua transformação em uma mulher elegante e bonita fosse revelada. Grande parte disso é culpa da sua própria mãe. A protagonista nutre uma amizade com a peculiar (e querida) Lady Danbury e isso diz muito mais do que se imagina. Ao longo do tempo, tornou-se tímida e passou a se conformar com sorrisos e danças gentis, que muitas vezes ocorriam por pena.

Ambos têm algo em comum – o que a sociedade conhece deles é apenas a ponta do iceberg e é como se um possuísse a chave para desvendar os mistérios do outro. De um lado, o bem-humorado e chamativo Colin, que apenas deseja ser alguém e anseia por algo que não é novidade na família: ser reconhecido pela sua personalidade, e não pelo conjunto familiar. Do outro, a observadora e astuta Penelope, que, mais do que tudo, deseja que seu amor seja correspondido.

Há mais de  você do que vê o olho, Penelope Featherington.

À medida que o enredo se desenrola, Julia Quinn, propositadamente ou não, traz à tona, de forma sutil, as semelhanças inegáveis dos irmãos Bridgertons, por meio da narrativa e dos pensamentos de Colin. É nesse volume, também, que nos é, finalmente, revelado um dos segredos mais picantes da série. A história se desenvolve de modo a encaminhar o leitor para a descoberta, mas, ainda assim, a surpresa é agradável. É um dos momentos mais tensos e emocionantes do livro, e dá vazão a mais uma série de mentiras e intrigas.

Apesar de ser uma boa história de amor, não é excelente como estávamos acostumados. Penelope é apaixonada desde sempre por Colin, mas o casal não passa a química e emoção que se esperava. Os personagens e seus progressos pessoais são a salvação e um ótimo ponto para se focar. Ao final do livro, quando Penelope e Colin revelam seus mais profundos talentos (e segredos), é impossível não se sentir orgulhoso e tão animado quanto eles, demonstrando que o laço personagem/leitor foi criado, só não é tão forte quanto os que ocorrem nos outros livros.

Talvez porque eu desejasse que as coisas fossem diferentes, talvez porque a autora trabalha muito bem nos preconceitos da sociedade retrógrada, a história me pareceu decepcionante. É claro que o romance não deixa de tirar suspiros enquanto nos mostra o confuso Colin e a apaixonada Penelope, mas não conseguiu a posição de favorito como eu estava torcendo e esperando que acontecesse.

É um exemplo emocionante de resignação, esperança e de descobertas e escolhas pessoais, e como elas nos influenciam. O tema do livro, quando a história de amor não está em foco, é atual e, apesar da história se passar na Londres de 1800, a reflexão serve para os dias de hoje. Se formos mais a fundo, há de se perguntar até quando a sociedade e seus padrões importam, e o que as pessoas são capazes para se tornarem um pouco menos invisíveis e serem aceitas. A lição mais importante que Julia Quinn passa, porém, é que o amor pode nascer em todos os lugares e de diversas formas, até mesmo (ou principalmente) de uma longa e bela amizade.

Talvez aquilo fosse a definição de amor, afinal. Querer uma pessoa, precisar dela e a adorar até mesmo nos momentos de fúria, quando se tinha vontade de amarrá-la à cama só para que ela não saísse e causasse ainda mais problemas.

 

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