[Livro x Filme] O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares.

Logo que terminei de assistir O Lar das Crianças Peculiares, corri para as livrarias para me aventurar n’O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, de Ransom Riggs, porque senti que o filme deixou muita coisa de fora… Quase como se tivesse escolhido uma história gigantesca e a tivesse condensado em trinta minutos de filme – muita informação jogada e sem explicação. Acontece que o meu pressentimento estava certo, e à medida que a leitura fluía, percebi não apenas uma mudança de enredo, mas a prova de que Tim Burton deve ter esgotado sua criatividade ao criar o filme.

Desta forma, acabei me inspirando na criação de uma nova categoria pro Blog: A famigerada batalha de “livro vs filme” ganha o seu espaço aqui no Prateleira de Vidro com o intuito de analisar as duas mídias separadamente e dar a minha opinião de qual é a melhor. Ah, já avisando de antemão: O POST CONTÉM MUITOS SPOILERS! Tanto do livro quanto do filme. Fuja já daqui se não quiser nada disso.

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imagens retiradas do site da Saraiva e do site Leitura em Contexto

Quero começar deixando algumas coisinhas claras… Ambos o livro e o filme são obras sensacionais, cada qual com suas peculiaridades e meu intuito aqui é apenas compará-las e, baseando-me na história principal (nesse caso, o livro), comentar as diferenças de uma e outra e apresentar os possíveis motivos para elas existiram. Novamente: O filme é bom! O livro é ótimo! Tendo isso em mente… Que a guerra comece… 

Acho que, para um autor, assinar os papéis para que seu livro se torne um filme pode ser um sonho maravilhoso ou um horrível pesadelo e, apesar dos diversos benefícios d’O Lar das Crianças Peculiares, temo que esta adaptação esteja com um dedo a mais do pé na segunda categoria. O grande problema é que a história principal de um não tem muito a ver com a outra. Imagino-me no lugar de algum fã da saga e tremo de pensar o desespero que deve ter sido ver os personagens se mesclando e o enredo se confundindo.

Jacob parece, de início, ser a promessa do novo Harry Potter ou Percy Jackson para esta geração, talvez com um humor mais chegado para o aventureiro, e mais velho, Wolverine de X-Men, o que nos leva à primeira diferença, e a que mais me irritou:

A diferença de personalidade do protagonista.  No livro, Jacob é um garoto de dezesseis anos com uma vida, refletindo a de milhares de adolescentes, muito frustrada, que perde o avô logo no início da obra e tem uma relação difícil com as pessoas no geral, incluindo seus pais. As semelhanças acabam aí. Até mesmo seu melhor amigo (livro) acabou se transformando na sua chefe (filme), talvez para deixá-lo ainda mais sofredor e solitário. No livro, mostra-se dominador de um humor ácido e uma ironia divertida, extremamente maduro se comparado ao Jake do filme, que é infantil e desesperadamente fofo.

A mudança descrita acima é justificável se percebermos o que acontece com o público-alvo das obras. Enquanto o livro é focado para o juvenil e adulto, o filme infantiliza a história para criar um enredo divertido para o infantojuvenil.

Quanto aos personagens, houve tanta mudança, mescla e desaparecimento que, no início, pensei que eram histórias diferentes. Algo que me incomodou MUITO, foi a mudança de Emma, a ex namorada do vovô e futura namorada do Jake (isso soa mais estranho do que realmente é… Ou não). São personagens, literalmente, diferentes. É isso aí, Tim Burton simplesmente resolveu mudar a garotinha principal!  Olive virou Emma e Emma virou Olive… Vamos lá, com calma.

No livro, Emma é a protagonista ao lado de Jake, e tem o poder de controlar o fogo junto de uma personalidade durona e uma beleza estonteante. Olive, ainda no livro, é uma personagem secundária, com o poder de flutuar, extremamente fofa. No filme, os papéis se inverteram e a única justificativa que encontrei para isso foi a cena do navio, que, adivinhem? Também é muito diferente da que acontece no livro. Na minha opinião, sou muito mais o casal original.

imagens retirada do site mashable.com

Senti, também, muita diferença na Srta. Peregrine do livro e do filme. No primeiro, é mais como se ela fosse uma avô severa, mas amável, que cuida com garras e dentes das crianças de seu orfanato. No segundo, além de ser muito mais jovem do que o esperado, ela me pareceu ser uma amiga preocupada e não tão rígida.

Além disso, os personagens foram super modificados. Alguns desapareceram, outros viraram vilõezinhos e uma segunda história de amor foi criada para Olive-do-filme, algo bem desnecessário, aliás. A rivalidade entre Enoch, que virou um garanhão-valentão na adaptação, e Jake não era assim no livro e eu não reclamaria se ela tivesse sido bem explorada… Porém…

Uma parte bacana dessa mudança toda foi a participação ativa dos personagens. No livro, existem muitos e muitos peculiares, mas pouquíssimos deles ganham destaque. Já no filme, Burton diminui a quantidade de crianças e cria espaço para todas elas, inclusive os gêmeos bizarros, que até ganham poderes novíssimos em folha.

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imagens retirada do site mashable.com

Quanto aos vilões…  O principal deles, no livro, é um sanguinário, vingativo e desesperado acólito que não mede esforços para acabar com as criancinhas, e esteve sempre por perto de Jake, na forma de motorista de ônibus escolar, jardineiro ou psicólogo (doutor Golan). No filme, o psicólogo vira psicóloga (não entendi até agora) e recebe o nome de Mr. Barron. Ele é muito mais legal e divertido do que o esperado, o que se justifica, novamente, pela mudança do público-alvo. Muitos outros acólitos aparecem no filme, mas minha opinião é a de que isso foi o resultado da condensação dos três livros em um filme.

O enredo é o que mais sofre nas mãos criativas do diretor. Muitas cenas do livro são apagadas e/ou modificadas. Um exemplo é a cena do navio, que já citei no texto; outro é a fuga dos peculiares para darem uma de herói, mas existem muitos outros. A primeira parte, na qual Jake busca respostas, é muito mais sombria no livro.  Acredito que a maioria das mudanças deve ter ocorrido por causa dos outros dois livros, os quais ainda não li.

A partir do momento que Mr. Barron entra em ação pra valer, as histórias perdem todas as conexões possíveis. Tim Burton deixa suas marcas evidentes, é claro: No filme, os olhos é que importam para a alimentação dos etéreos; já, nos livros, os monstros se alimentam de humanos e peculiares inteiros. Além disso, Srta. Peregrine se tornou, na adaptação, uma viciada no tempo, e, nele, é preciso do relógio para reiniciar o dia, enquanto na obra original, basta que alguém atravesse a fenda para reiniciá-la.

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imagens retirada do site livroterapias.com

Emma-do-livro presenteia Jake com uma maçã, que apodrece horas depois no tempo real; uma analogia ao que aconteceria caso as crianças se “mudassem” para a época em que o protagonista vivia. No filme, a fruta vira uma flor. Algo que não consegui entender até agora é a mudança na data da fenda temporal… Ela ocorreu três anos no futuro no filme. Do dia 3 de setembro de 1940, passou para 3 de setembro de 1943. Vai entender…

As diferenças são muitas e, por isso, resolvi citar as principais. Realmente vou ter que correr atrás e ler os dois próximos livros pra saber se o final do filme é tão nada a ver quanto pareceu, ou não. Como eu já disse, assisti primeiro o filme e depois li a obra, mas, na minha humilde opinião, o livro dá de dez a zero na sua adaptação das telonas. Escolhi o Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares como ganhador dessa batalha principalmente porque ele tem muito mais a ver com o tipo de história que gosto do que algo mais infantil, como é O Lar das Crianças Peculiares. Além disso, tudo pareceu ter mais sentido no livro, mas aguardem as cenas do próximo capítulo, vou explicar todos os meus motivos… A resenha vem por aí e vai explicar que surpresa gostosa esse livro foi. De qualquer forma, convido vocês a lerem e assistirem a obra e discutirem comigo um pouquinho mais desses dois mundos tão bem criados.

Beijinhos e até a próxima, crianças!

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21 comentários sobre “[Livro x Filme] O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares.

      • Gi, finalmente consegui ver o filme, e a minha opinião ficou beeeem diferente da sua kkkk. Vamos começar, vou falando do filme e referenciando o livro tá.

        O começo eu achei meio jogado sabe? Por que o menino precisa de uma psicóloga? Por que o pai dele tem cara de retardado (desligadão). Nada se explica. Não que isso seja realmente ruim, mas deixa a desejar. Nem precisava ser nada complexo, tipo na cena em que eles estão na casa do avô encaixotando as coisas, podia rolar uma briga onde o Jake perdesse o controle e justificasse porque ele precisa de tratamento. Gosto mais do ar sombrio e misterioso do livro do que do filme.

        Eu odiei a mudança entre a Emma e a Olive. Mas entendi que foi só por causa da cena do navio. Também achei desnecessária o romance entre a Olive e o Enoch, ainda mais porque no livro dá a entender que o motivo por ele ser tão escrotinho é o cansaço de sempre repetir o mesmo dia. Isso faz todo sentido, não precisava ter mudado. Mas como você falou, eles querem dar um ar bem juvenil pra coisa. Mas se eu não tivesse lido o livro, teria achado a Emma do caralho. O poder dela é bem legal, coisa que no livro não é muito explorado.

        Também gostei dos poderes dos peculiares, No filme tudo ficou muito mais evidente e muito mais legal.

        Sobre o vilão, eu adorei a mudança que eles fizeram no filme. Eu gostei muito da história que o livro apresenta sobre ele, mas só. No livro achei ele muito entediante, nada além do que já não vimos antes. No filme eu gostei do senso de humor, mesmo parecendo o personagem que o Samuel L. Jackson já fez em Kingsman. Ele não tem aquele discursinho chato de “eu quero dominar o mundo”. Gostei muito mais do vilão do filme. E achei da hora ele ter poderes, no livro não fala nada né? (não lembro dessa parte)

        Sobre a cena de ação. Caralho! Ficou muuuiito mais divertido no filme. E quando digo divertido, não quero dizer “infantil”, quero dizer “contagiante”. No livro são poucos os que lutam, e não tem muita graça já que é só contra o vilão. No filme eles fizeram bem mais grandioso, com novos personagens. Ah, adorei o poder dos gêmeos kkkkkk. Só achei meio estranho eles irem até uma fenda de 2016 e não rolar nenhum comentário de estranheza, tipo “olha essas roupas”, “nossa, quantas luzes”. Afinal, eles estão em 1943, muita coisa mudou, mesmo que só dentro de um parque de diversões. E no livro elas são muito mais curiosas. Outra coisa fácil de resolver com apenas uma linha de diálogo. Tim Burton, contrata nóis! kkkkkkkkkkk

        Também fiquei com a impressão de que eles trouxeram coisas dos outros livros pra esse primeiro filme. Ainda mais porque eles não vão pra nenhuma outra fenda, não conseguem resgatar a Srta Peregrine (é isso né, já faz tempo que li). E o Abe não é salvo.

        Mesmo o filme dando brecha para uma continuação, eu achei a história redondinha. Mais uma saga do herói. O menino, que tem bom coração, não se acha capaz mas acaba salvando o dia.

        E sobre a minha opinião final apenas sobre o livro, sinceramente, eu achei ele bem chatinho kkkkk. Eu criei muita expectativa nele, e quando li tive aquela velha sensação de que já conhecia. A saga do herói, a relação complicada de amor, o vilão que quer dominar o mundo. E achei a cena final de ação bem fraquinha. Mesmo começando muito bem, fui perdendo o interesse conforme o livro foi acabando. No final eu já tava “ai que saco, termina logo”.

        Não vou ler tão cedo a continuação, porque tenho outros livros na frente kkkkk. Mas pretendo continuar trocando ideias sobre a história, porque ela realmente é boa e tem muito potencial.

        Não quis ser chata só criticando, mas né, opinião é pra essas coisas. Desculpa pelo textão.

        Adorei o post. ❤

        Curtido por 1 pessoa

      • Ai menina, que isso! Fiquei muuuuito feliz que você voltou pra contar. Eu gosto MUITO de discutir opiniões sobre tudo e é sempre bom agregar mais um pouquinho, ainda mais quando a opinião vem tão boa e detalhada quanto a sua. O engraçado dessa saga, tanto no original quanto na adaptação, é a gama de sentimentos que trouxe pros leitores. Eu fui pesquisando, antes e depois do post, e vi, literalmente, de tudo um pouco. Tô querendo mesmo que o Tim Burton contrate a gente porque ia ser show, viu? Também não sei se vou ler a continuação tão cedo por causa dos milhões de livros na frente, mas eu estou realmente curiosa pra saber o que mais foi mudado. O ruim foi criar muita expectativa no livro mesmo, mas você não está sozinha nessa. Ele acabou sendo uma decepção bem grande pra muita gente, o que é uma pena porque, como você disse, a história tem potencial pra caramba, apesar de ser mais um clichêzinho. Obrigada pela visita novamente, viu?! Um beijão ❤

        Curtido por 2 pessoas

  1. PERFEITO! Quando acabei o livro, fui correndo assistir o filme (o que, só pra desabafar um pouco, levei o dia todo pra carregar kkkk) e quando terminei, fiquei com uma mistura de sentimentos dentro de mim. O filme não é ruim, mas é muito diferente do livro, todas as diferenças que você descreveu eu havia notado, o que me deu um alívio muito grande por saber que não tinha sido a única. E, exatamente como você disse, acho que o filme quis atingir um outro público-alvo, diferente do público-alvo do livro.
    Amei o post!!

    Curtido por 1 pessoa

    • Oi Fran, muito obrigada pelo carinho e pela visita, em primeiro lugar. Em segundo, ufa! É muito bom ver que tem gente como a gente, né? Hahaha Enquanto eu pesquisava sobre o livro e a adaptação, antes e depois do post, me deparei com mil e uma opiniões diferentes, o que foi muito engraçado. Esse misto de sentimentos que essas histórias causam é demais né? Beijão

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  2. Depois que eu li o livro eu odiei o filme, não que o filme seja ruim, mas porque é uma historia paralela a do livro! isso me entristeceu muito, principalmente com a troca dos personagens (Emma, eu amo ela!!!)

    Não sei se você já leu o segundo e o terceiro, eu já li, e eu particularmente amei…

    antes de ver seu post eu comecei a desconfiar que eu não tinha prestado atenção no filme direito por achar a historia tão diferente e estava pensando em assistir de novo, mas pelo que vi, não sou eu quem estou louca kkkkkk

    Curtido por 1 pessoa

    • Hahaha Oi Natalia! Com certeza a pessoa louca da história não é você, mas sim quem adaptou o livro rs Brincadeiras à parte, é bem diferente mesmo, né? Ainda não li as continuações, mas pretendo! Que bom que compartilhamos o mesmo pensamento! Beijos

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