[Resenha] “A Seleção”

selecao

Classificação: ★★☆☆☆ 
Título:
 A seleção

Título original: The Selection
Coleção: Série “A Seleção” livro 1
Páginas: 304
Ano Edição: 2012
Editor(a): Seguinte
Autor(a): Kiera Cass
Tradutor(a): Cristiam Clemente
Edição: 
ISBN: 978-85-65765-01-5
Gênero: Distopia / Jovem adulto / Literatura Estrangeira / Romance
Resenha por: Giovanna Cuzziol Longo
imagem retirada do site saraiva.com.br

Sinopse: Nem todas as garotas querem ser princesas. America Singer, por exemplo, tem uma vida perfeitamente razoável, e se pudesse mudar alguma coisa nela desejaria ter um pouquinho mais de dinheiro e poder revelar seu namoro secreto. Um dia, America topa se inscrever na Seleção só para agradar a mãe, certa de que não será sorteada para participar da competição em que o príncipe escolherá sua futura esposa. Mas é claro que seu nome aparece na lista das Selecionadas, e depois disso sua vida nunca mais será a mesma…

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Uma moça, com uma obrigação a cumprir, que acaba se tornando uma referência ou um símbolo. Dois jovens, com personalidades distintas, mas extremamente carismáticos e atraentes. Um sistema a ser derrubado junto com seus mistérios. Essa é, provavelmente, a história – na íntegra, como complemento ou em partes – mais clichê dos últimos tempos. Não culpo, porém, quem recorra a ela, afinal, é a fórmula mágica para a criação de um bestseller juvenil. É por causa disso que, às vezes, temos a impressão de já termos lido um livro, mesmo sem saber da sua história completa. Essa moda começou por volta de 2007 e faz com que o cerne de algumas sagas seja muito parecido. 

Como se a fórmula não fosse o suficiente, Kiera Cass resolveu se inspirar em uma competição muito segura, atual e que sempre prende os olhos da população: Um concurso de Miss. Troque as misses por futuras princesas e o buquê junto do título por um príncipe bonitão et voilà. Até mesmo a coroa existe nos dois. Nascido como uma mistura engraçada de uma realeza distorcida e um mundo que daria orgulho à Suzanne Collins, A Seleção caiu como uma luva mais do que bem-vinda.

O livro começa com um ritmo acelerado de fatos, bombardeando-nos com informações de uma sociedade dividida em castas (de um a oito, da melhor à pior) e cheia de preconceitos. Não é nada novidade, a não ser pela memorável Seleção que está prestes a acontecer; o príncipe está em idade para se casar e usará o evento para escolher, dentre 35 jovens voluntárias de 16 a 20 anos, a sua futura esposa.

Ainda bem que eu estava sozinha. Nunca teria conseguido segurar as lágrimas na frente das outras meninas. Doía. Tudo doía. E não havia nada que eu pudesse fazer.

É claro que nossa protagonista, America, tem outros planos, que não envolvem em nada participar do concurso, mesmo que ele traga apenas benefícios para as Selecionadas, como são chamadas as 35 jovens, e suas respectivas famílias. É a irmã do meio de outros quatro filhos e tem uma relação difícil com a mãe, mas é adorada pelo pai, com quem se sente mais conectada dentre os membros da família. Aos 17 anos, trabalha como cantora para ajudar a família, pertencente à casta número cinco, que passa por muitas dificuldades financeiras.

Foi difícil conseguir criar laços com a protagonista feminina em questão. America começa a história dividida entre se rebelar contra tudo ou se jogar aos caprichos e dificuldades de uma adolescência normal. Mas é claro que, à medida que a saga se desenrolava, America crescia, e deixava cada vez mais claras as suas razões e o que a motivava. Tive a impressão de que a personagem realmente se desenvolveu com a trama, o que foi muito agradável – e real – de se ver.

Logo no início conhecemos também Aspen, um rapaz mais velho e de uma casta inferior, com quem America tem um romance proibido (e escondido) durante a maior parte da adolescência. É ele quem acaba sendo grande motivador para que ela se inscreva na Seleção, mesmo que isso não pareça fazer muito sentido para olhos mais maduros. Corro risco de ser apedrejada por isso, mas as cenas entre os dois, seja no começo ou no fim, sempre me trouxeram certa estranheza – a impressão é de que não há química nenhuma entre eles – e esse talvez tenha sido o maior motivo do meu alívio ao me deparar com o príncipe Maxon.  

– Você chamou todas de “minha querida”? – perguntei, voltando o rosto para o resto do salão.
– Sim, e todas parecem ter gostado.
– É exatamente por isso que eu não gostei.

O príncipe, muito diferente de Aspen, tanto na personalidade quanto no físico, é basicamente um poço de preocupação, bondade e ingenuidade. Normalmente, esse é o tipo de personagem que não atrai em nada o meu coração, mas Maxon é um cavalheiro incrivelmente apaixonante e foi impossível não me render aos seus encantos. É no auge dos seus dezoito anos e no meio de tantas responsabilidades da realeza, as quais vai assumindo e aprendendo aos poucos, que ele é induzido a escolher a mulher certa para governar seu país e ser sua companheira para o resto da vida. Simples, não?

Ao longo das páginas, novas dificuldades vão surgindo e novos problemas começam a assolar não só os protagonistas, mas a população como um todo. O livro acaba se tornando um zigue e zague de romances juvenis, decisões erradas, encontros fúteis, eventos sociais e ataques misteriosos. Apesar de algumas cenas forçadas e previsíveis, e dos personagens perfeitos até nas imperfeições, o livro denuncia um lado cruel e egoísta da humanidade. Por trás do romance clichê, há a crítica para a capacidade do ser humano de ver apenas o que for cômodo de enxergar.  

A Seleção, infelizmente, não se tornou um dos meus queridinhos por diversos fatores, mas, talvez, o que tenha mais me tirado do sério foi a protelação. Durante alguns capítulos, a autora precisou “encher muita linguiça”, com o perdão da expressão. O primeiro livro da saga que leva o mesmo nome não tem um final, mas sim uma pausa. Eu sabia da existência dos outros dois livros que completariam a história, e foi o único motivo para não ter pirado com os últimos capítulos.

Essa era a verdade, no fim das contas. Ainda não sabia o que queria, mas não podia me deixar levar pelo mais fácil ou por aquilo que os outros achavam certo. Só precisava de tempo até decidir o que era melhor para mim.

Se as três primeiras obras da série se juntassem em uma só, tudo faria mais sentido, porque é quase como se o primeiro livro fosse o início da trama, o segundo fosse o meio e o terceiro, o fim. Além disso, senti falta de um alívio cômico e daquele tipo de personagem que aparece e é simplesmente impossível odiá-lo: O queridinho da turma. Maxon talvez seja o que mais se aproxime disso, mas posso também estar sendo influenciada, já que ele acabou me cativando tanto.

É agonizante, mas não novo, o modo como a sociedade do livro se comporta como um organismo preconceituoso que se baseia em pilares primitivos. Isso fica muito claro na precariedade e brutalidade do primeiro amor de America. Foi também por meio dela que Kiera Cass condenou e criticou certos momentos machistas e desconfortáveis para as futuras princesas, embora eu ainda ache que houvesse muito mais a ser escancarado e criticado. A Seleção é uma história mamão com açúcar e não é a leitura indicada se quiser algo profundo, mas é perfeita para se apaixonar e se quiser algo para passar o tempo.

Espero que encontre uma pessoa sem a qual não possa viver. E desejo que nunca precise saber como é tentar viver sem ela.

Para ver os meus trechos favoritos e os mais marcantes, clique aqui.

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11 comentários sobre “[Resenha] “A Seleção”

  1. Uauuu! Gi fiquei admirada com tanta sinceridade e com a qualidade com que você expressou suas palavras, de verdade, parabéns! 😉 Eu gosto muito da série, entendo que tem alguns probleminhas, mas foi a primeira distopia que li (dessa modinha), então não tinha como comparar, rs. A pergunta que fica: vai continuar lendo a série? rs. Bjos ❤

    Curtido por 1 pessoa

  2. Oi Gi, tudo bem?

    Diferente de você eu embarquei totalmente na obra, exatamente por ter lido na minha fase de adolescência e adorar um mamão com açúcar. Eu adorei as suas críticas, pois elas foram bem fundadas e existe uma coerência. Confesso que no primeiro livro o Maxon não me cativou, eu preferia o Aspen, ele me passava o ar de maduro. Mas, aos poucos, fui sendo fisgada pelo seu jeito encantador. Ah, eu adorei a America, a sua personalidade. A sua resenha está fabulosa, uma das melhores que já li do livro. Parabéns!

    Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

    • Oi Alice, que comentário bom de se ler. Muito obrigada pelo carinho e pela visita. Preciso admitir que acho que teria me sentido igual à você se eu tivesse lido o livro mais nova. Com certeza eu estaria apaixonada e seria um dos meus favoritos! Beijos

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  3. Adorei a forma como você conduziu sua resenha e me identifiquei muito com as críticas que você fez. Eu nunca li os livros mas provavelmente também não iria ser dos meus preferidos! haha Eu tento ao máximo fugir dos clichês e apesar de, como você disse, a autora desconstruir algumas ideologias presentes na sociedade, me parece que ela ainda acabou reforçando muitos esteriótipos.

    Curtido por 1 pessoa

  4. Eu amei totalmente a sua resenha! Você escreve bem, justifica seus pontos e me ganhou desde o inicio, com a ficha super bem estruturada. É muito bem feitinha mesmo sua resenha. Confesso que ajuda eu concordar muito contigo, não sobre o livro que nunca li, mas as questões de best sellers e utopias!

    Curtido por 1 pessoa

  5. Resenha muito bem escrita, embora a história do livro não estivesse ajudado muito. Bem fraquinha mesmo, kkk

    O título do livro, eu gostei. Pensei que a história abordaria uma coisa mais realística, mesmo que ficcional e no gênero da fantasia, uma coisa mais emocionante.

    Marcou mais um Gol, Gi, kkk

    Curtido por 1 pessoa

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