[Resenha] “Extraordinário”

extra3
Classificação:
★★★★☆ 
Título:
 Extraordinário

Título original: Wonder
Páginas: 320
Ano Edição: 2013
Editor(a): Intrínseca
Autor(a): R. J. Palacio
Tradutor(a): Rachel Agavino
Edição: 
ISBN: 978-85-8057-301-5
Gênero: Ficção / Infantojuvenil / Literatura Estrangeira
Resenha por: Giovanna Cuzziol Longo
imagem retirada do site http://www.livroseblablabla.com/

Sinopse: O livro conta a história de Auggie, um menino que nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial. Em um manifesto em favor da gentileza, ele enfrenta uma missão nada fácil quando começa a frequentar a escola pela primeira vez: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.

extra

Antes de começar a leitura de Extraordinário, por R. J. Palacio, já tinha escutado muitas coisas boas do livro. Quando descobri que a história receberia adaptação cinematográfica esse ano (leia mais sobre isso aqui), decidi que seria a hora perfeita para me aventurar nas suas páginas. Curiosamente, logo no início da leitura, senti realmente que estava entrando em uma aventura, diferente de tudo que eu já tinha enfrentado. Ou melhor, lido. Agora costumo pensar que essa sensação serviu de presságio.

Todos nós passamos por momentos ou situações, curtos ou duradouros, que são decisivos para o desenvolvimento (ou formação) do nosso caráter. São como fases de um jogo nas quais, ganhando ou perdendo, adquirimos vivência. Muitas vezes, mais do que imaginamos, essas fases são pessoas. O protagonista foi uma fase gigante para todos, inclusive e principalmente para nós, leitores.

August Pullman, ou Auggie, deseja ser um garoto normal porque nunca antes se sentiu assim. A culpa disso é basicamente de uma série de síndromes genéticas que deixaram seu rosto com uma aparência incomum. O resultado disso? Mil idas e vindas ao hospital, enfrentando cirurgias severas desde quando era um bebê. A partir daí, podemos perceber que nosso protagonista é, no mínimo, um grande guerreiro. Residente de Nova Iorque, mora com os pais, a irmã mais velha e a cadelinha da família – que, aliás, é uma personagem extremamente carismática.

Sabe o que eu acho? A única razão de eu não ser comum é que ninguém além de mim me enxerga dessa forma. (página 11)

Fora a família, tem contato com um pequeno e seleto grupo de amigos, os quais já estão acostumados com suas diferenças. Por conta das síndromes e inseguranças, tanto da parte dos pais quanto dele próprio, Auggie estudava em casa. Os conflitos começam quando os pais tentam convencê-lo a ir para a escola. Seria o mesmo ano em que Via, a irmã mais velha, ingressaria no Ensino Médio, o que nos leva a crer que mudanças aconteceriam cedo ou tarde.

Extraordinário não se torna merecedor do adjetivo homônimo por causa do enredo; não é surpresa nenhuma que August passe por desafios e provações que variam, por exemplo, entre histórias de bullying e auto cobrança. O que o torna tão especial é o modo como o enredo nos é apresentado: Através da voz de uma criança obrigada a amadurecer tão cedo por conta da crueldade humana. Vemos o mundo através dos olhos desesperados de alguém que deseja se encaixar e que anseia por uma inocência há muito já perdida.

R. J. Palacio criou personagens reais, com os quais nos identificamos facilmente. Diversas vezes me reconheci em suas palavras, mesmo que nunca tivesse passado pela situação descrita. Viajamos por pontos de vista diferentes e temos a oportunidade de nos aprofundar em cada um deles. É fácil captar a essência da obra, apesar de ser difícil se livrar dela depois, afinal, o livro acaba se tornando um ensinamento muito mais profundo (e marcante) do que o esperado.

É estranho como as crianças podem ser estranhas. (página 127)

Apesar de August ser nossa estrela, não é só ele quem brilha. Os pais, a irmã e, principalmente, os amigos são pessoas tangíveis e que amadurecem monumentalmente ao longo das páginas. A escrita é leve e quase infantil, o que faz sentido se considerarmos que é um livro narrado majoritariamente por crianças. Ademais, Palacio demonstra sua incrível habilidade de criar, além de perspectivas diferentes, estilos distintos, facilmente caracterizados e identificáveis. Ela nos prende em uma doce teia de palavras, enquanto faz a história crescer e correr naturalmente, o que torna a leitura fácil.

Extraordinário é daqueles livros sobre escolhas e, principalmente, como elas nos afetam, tanto em conjunto quanto introspectivamente. Sobre quem escolhemos ser e quem mostramos que somos. É sobre caminhos a serem tomados (e repensados), superação e muito aprendizado. Além do óbvio, há um leque infinito de ensinamentos nas entrelinhas. Isso, junto da leitura leve, torna a obra forte candidata a entrar no grupo de releituras, afinal, a primeira vez é só a ponta do iceberg de conhecimento. Isso tudo é condensado em um enredo acessível e que trata de situações cotidianas. 

A perversidade é posta em jogo e escancarada, junto da falta de preparo (principalmente emocional) do ser humano de lidar com situações que o tirem da zona de conforto. Somos obrigados a refletir sobre como as crianças são educadas e o que passamos a elas. O livro nos compele a olhar no espelho e admitir que todo mundo tem um pouco de culpa dentro de si, especialmente quando se trata do mundo e das relações humanas. Mostra-nos o valor da gentileza. Conta como uma família comum é capaz de superar tudo, principalmente se houver amor, confiança e respeito no meio. Ao finalizá-lo, tinha em mente diversas reflexões que nunca passariam por lá sem o estímulo necessário. Há muito o que ser dito, questionado e mudado… Mas isso é história para outro livro.

– Está bem, é justo – concordei. – Mas isso não é uma disputa de quem tem os piores dias, Auggie. A questão é que todos temos que lidar com os dias ruins. Agora, a menos que você queira ser tratado como um bebê pelo resto da vida, ou como uma criança com necessidades especiais, tem que engolir isso e voltar para a escola. (página 122)

Para ver os meus trechos favoritos e os mais marcantes, clique aqui.

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25 comentários sobre “[Resenha] “Extraordinário”

  1. Olá!
    Tenho muito interesse em ler este livro, e agora ainda mais, principalmente por você ter falado que logo no início já teve a sensação de estar se aventurando.
    A estória parece ser diferente e nos fazem refletir muito, tenho certeza que irei gostar também.
    Beijos!

    Curtido por 2 pessoas

  2. Oi Gi.

    Eu tenho esse livro, inclusive também já fiz resenha lá no blog, sobre ele. O livro é fantástico, e você com a sua escrita conseguiu passar uma verdade tão linda. De verdade, eu achei lindo, você realmente se empenhou nesse post.

    Linda demais.

    Ps.: o Filme vai ser lindo.

    Curtido por 2 pessoas

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