A carta que você nunca recebeu

LONELY

    Não adianta eu me olhar no espelho e afirmar, com meu tom mais firme, que passou. Não adianta eu repetir ou recitar… Não passou.

    Consigo dividir o que passamos em algumas fases. A primeira delas, quando as coisas eram flores. Era quase como se o aroma inconfundível do amor nos rodeasse e nos inebriasse da cabeça aos pés; costumávamos ignorar a tudo e a todos simplesmente pelo fato de termos, um no outro, a proteção que precisávamos. O arrepio na espinha, agourento, porém, todos os dias, me lembrava de algo que não estava certo. Eu ignorei.

    Depois veio a fase em que as partes sobrepujaram o todo. Não adiantava mais ignorar todos os sinais porque eles haviam se tornado a nossa verdade. O amor parecia não ser o suficiente; sequer era amor. Mostramo-nos diferentes do que éramos. Eu poderia ter ignorado… Poderia ter dado um jeito… Mas escolhi ser egoísta. Escolhi mergulhar no prazer de sofrer e de sentir a dor e de me sentir viva; fui o monstro que você talvez desconfiava, a carcaça que ainda uso como capuz sobre a cabeça, a qual me faz parecer algo que não sou. Ou algo que não queria ser.

    A terceira fase é a última. Parece brincadeira… O três, o número da união, significou a nossa destruição. Seja por minha culpa, ou pela sua. Já não sei mais dizer, sabia? Não me lembro. Não tiro o peso dos meus ombros… Mas será que você não poderia ter tentado?

Lembra-se da última vez que nos vimos? Bem, eu parecia um gelo por fora, mas, por dentro, estivera ensaiando maneiras de me derreter, ao menos uma última vez, em seus braços.

Doeu.

Doeu te ver.

Dói.

Dói não te ter.

Talvez ainda haja esperança e talvez o destino ainda nos guarde uma bela história em algum canto bonito do mundo; algum canto onde poderemos ser apenas nós dois, mais uma vez, ignorando todo o universo. Ou talvez não.

E agora escrevo em letras corridas e tremidas em um pedaço de papel amassado que mais tarde será queimado, numa esperança debilitada de tirar isso tudo da minha cabeça.

E você nunca saberá de nada disso porque… Porque são palavras minhas que nunca consegui te dizer, frases talvez desconexas, trechos inacabados e cheios de sentimento… Palavras que representam desculpas que entalam na minha garganta e porque…

Porque essa é a carta que você nunca recebeu.

(giovanna cuzziol)


Texto feito em resposta para A carta que nunca escrevi.

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