[Resenha] O Príncipe dos Canalhas

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Classificação: ★★☆☆☆
Título:
 O Príncipe dos Canalhas (Canalhas #1)

Título original: Lord of Scoundrels
Páginas: 228
Ano Edição: 2015
Editor(a): Editora Arqueiro
Autor(a): Loretta Chase 
Participações: Ivar Panazzolo Junior (Tradutor) 
Edição: 
ISBN: 978-85-8041-399-1
Gênero: Ficção / Literatura Estrangeira / Romance (Com conteúdo adulto).
Resenha por: Giovanna Cuzziol Longo
imagem retirada do site http://www.livrosecitacoes.com

Sinopse: Sebastian Ballister é o grande e perigoso marquês de Dain, conhecido como lorde Belzebu: um homem com quem nenhuma dama respeitável deseja qualquer tipo de compromisso. Rejeitado pelo pai e humilhado pelos colegas de escola, ele nunca fez sucesso com as mulheres. E, a bem da verdade, está determinado a continuar desfrutando de sua vida depravada e pecadora, livre dos olhares traiçoeiros da conservadora sociedade parisiense. Até que um dia ele conhece Jessica Trent…

Acostumado à repulsa das pessoas, Dain fica confuso ao deparar com aquela mulher tão independente e segura de si. Recém-chegada a Paris, sua única intenção é resgatar o irmão Bertie da má influência do arrogante lorde Belzebu.

Liberal para sua época, Jessica não se deixa abater por escândalos e pelos tabus impostos pela sociedade muito menos pela ameaça do diabo em pessoa. O que nenhum dos dois poderia imaginar é que esse encontro seria capaz de despertar em Dain sentimentos há muito esquecidos. Tampouco que a inteligência e a virilidade dele pudessem desviar Jessica de seu caminho.

Agora, com ambas as reputações na boca dos fofoqueiros e nas mãos dos apostadores, os dois começam um jogo de gato e rato recheado de intrigas, equívocos, armadilhas, paixões e desejos ardentes.

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O príncipe dos canalhas, de Loretta Chase, é o primeiro de uma série composta por dois livros. Amante assumida de romances históricos, acabei ficando muito ansiosa por essa história que conquista tanta gente. Não é surpresa, afinal, entender o porquê, depois de ter lido. É um enredo inesperado e extremamente envolvente, apesar de pouco realista. Ao termina-lo, tive certeza de se tratar de um livro, onde as fantasias ocorrem, e não uma história que poderia ser trazida para a vida real.

Jess e Dain, que protagonizam a história, são problemáticos do melhor tipo. Particularmente, tenho uma queda por personagens que sejam tangíveis e reais dessa forma. Loretta Chase desenvolveu duas pessoas envoltas em um sentimento que não é forjado, mas flui com facilidade e ardor, queimando tudo ao seu redor em uma dança perigosamente sedutora.

Lorde Dain pode ser resumido pela palavra poder; possui e busca sempre mais dele. As mentes analisadoras me entenderão quando digo que ele é uma espécie de Brás Cubas inserido em Paris de 1800: faz e tem o que quer, simplesmente porque pode. Mas seu lado ganancioso não esconde sua necessidade de se provar, seja para ele mesmo ou para a sociedade, bem como a preocupação com o que dizem sobre sua pessoa. Durante o livro, deparamo-nos com provas substanciais de que ele não passa de um menino reprimido que desconta, nos outros, sua dor.

– O casamento é para covardes, tolos e mulheres. – respondeu ele.
Ela sorriu.
– Isso parece o tipo de coisa que um imbecil bêbado anunciaria para outros logo antes de cair de cara na vasilha de ponche, em meio às costumeiras galhofas masculinas sobre fornicação e processos exotéricos. (pág. 21)

Se por um lado temos o pessimismo pungente e a amargura regendo as ações de Dain, por outro temos a luz. Jess é o alívio da obra e se transforma no completo oposto do seu par romântico, ainda que sejam tão parecidos em certos assuntos. De beleza estonteante, é incrivelmente irônica, engraçada e consciente da sua realidade. Não perde tempo com fantasias e mergulha nos desafios sem medo algum, armada apenas das suas respostas rápidas e de seu orgulho.

A autora liberta seu lado criativo não só com os dois, mas com outros milhares de personagens (alguns, até, desnecessários). Por exemplo, Genevieve torna-se automaticamente querida e Bertie, o bebezão, cria um laço formado de pena com o leitor. De qualquer forma, Loretta explora a mudança de ponto de vista com maestria em uma escrita ajustada e envolvente.

A obra apresenta o lado negro da sociedade por meio de uma história de abusos, crueldade, apostas e pagamentos: A verdadeira essência do ser humano. Sendo um romance histórico, mesmo que não convencional, um final feliz é esperado e é isso que a autora entrega, nem por isso deixando de escancarar a maldade, o desespero e o medo, os quais podem, claramente, destruir alguém.

Mentes dissimuladas jogam o jogo da vida por meio de estratégias e ações arquitetadas, e, no meio disso, a semente da esperança brilha em forma de amor entre Jess e Dain. Ela traz, dos confins, o melhor que há nele, e, junto disso, faz com que ele volte a acreditar novamente: na vida, no amor, em tudo. E ele é o único capaz de anuviar a mente da nossa protagonista feminina, tirando-a, assim, do controle. Por conta de um redemoinho de mal-entedidos, as coisas tomam proporções gigantescas e o livro segue para um rumo não esperado, mas um que é pouquíssimo convincente, se pensarmos na sociedade na qual o livro é estruturado.

O enredo, apesar de não ser o meu favorito, é simplesmente (e quase literalmente) de tirar o fôlego. Com mil reviravoltas inesperadas, acaba se tornando muito menos previsível do que seria se os protagonistas não fossem, mesmo diferentes entre si, fora dos padrões. No início da obra, achei que seria incapaz de me afeiçoar a Dain, mas, no final, estava encantada pela fera que não precisou ser domada, mas aprendeu os limites de sua própria imposição.

(…) Dain abriu um sorriso malandro, e, em seus olhos, negros como o pecado, ela viu o diabo que havia dentro do marido rindo. Mas aquele diabo pertencia a ela, e ela o amava loucamente. (pág. 285)

Para ver os meus trechos favoritos e os mais marcantes, clique aqui.

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7 comentários sobre “[Resenha] O Príncipe dos Canalhas

  1. Gostei muito da sua resenha. Uma análise com boas referências (lembrei-me um pouco de Seixas e Aurélia do romance Senhora, e também de Don Juan no que diz respeito ao temperamento — e não tanto a capacidade de sedução — descrita para o Lorde Dain. Fiquei curioso para entender qual a questão que torna o livro um pouco fantasioso… 🙂
    Beijos!

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  2. Oiii, tudo bem?
    Não conhecia esse livro e não costumo ler esse gênero maaas o enredo me chamou atenção. Apesar de ser um pouco diferente dos romances históricos que eu conheço e, mesmo tendo um final fantasioso como você disse, acho legal fugir um pouco dos clichês desse tipo de livro.
    Beijos!

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  3. Oi. Tudo bem?
    É a primeira vez que ouço falar deste livro. Me surpreendeu, pois é um dos gêneros que me interessa. Mas infelizmente não fiquei tão animado com a história. Só o fato de ela não parecer realista já me deixou desanimado. Apesar desse, nunca é uma perda de tempo conhecer novas histórias. Anotei aqui o nome, se um dia tiver a oportunidade vou ler para conhecer um pouco mais dessa história. Quanto às resenha, eu não preciso falar nada. Achei ótima, muito bem escrita e interessante. Prendeu a minha atenção. Adorei. Parabéns.

    Abraço!

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  4. Olá. Infelizmente eu não gosto muito de romances, nem de época nem contemporâneos, então é uma leitura que eu não faria. É interessante que aborde temas mais sociais como abusos e maldades, mas não é algo que consiga me atrair. Mas que bom que você gostou! Beijos.

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